As orelhas possuem posição proeminente e exposta no rosto. Essa situação as deixa mais propensa a traumas e acidentes. Existem muitos trabalhos publicados sobre os ferimentos de orelha e alguns dados importantes foram descobertos sobre os casos mais graves:
A maioria das vítimas de ferimentos de orelha (80%) são do sexo masculino.
Os acidentes são mais frequentes em pessoas mais jovens, ao redor dos 30 a 40 anos de idade.
Os ferimentos podem ocorrer pelas causas mais diversas. Quase metade dos casos são causados por cortes, acidentais ou não. Nessa categoria constam agressões físicas com facas ou vidros. Em segundo lugar, com quase um terço dos casos, estão os acidentes automobilísticos. Atropelamentos e colisões de carros e motos podem gerar ferimentos leves ou graves nas orelhas. Por fim, temos os pacientes vítimas de mordidas de animais ou de humanos, em situações de agressões físicas.
Como cuidar de um machucado na orelha?
Depende da gravidade. A classificação de Weerda separa em 4 níveis de gravidade:
1- Ferimento superficial, sem ou com mínimo dano de cartilagem.
2- Separação de uma parte, mas mantendo algum contato de pele, popularmente conhecido como “pendurado”.
3- Avulsão (desconexão) de parte ou toda a orelha. A parte desconectada está disponível e em bom aspecto.
4- Avulsão (desconexão) de parte ou toda a orelha e a parte desconectada não está disponível ou em estado crítico.
Essa classificação é fundamental para entendermos quais são as opções de tratamento para cada caso.
Os casos mais leves, classificados como grau 1, são tratados apenas com curativos. É muito importante o uso de pomadas adequadas para evitar infecção no local e perda de cartilagem. Apesar de parecer mais simples, sempre consulte um especialista para evitar piora do ferimento.
Casos grau 2 devem ser operados. O especialista avalia os tecidos que estão saudáveis e realiza a sutura adequada no local, com pontos específicos. Sempre mantenho o acompanhamento do paciente a longo prazo para acompanhar a cicatrização.
Os ferimentos mais graves são aqueles que a toda ou parte da orelha foi desconectada do paciente, os graus 3 e 4. Ambos necessitam de um procedimento cirúrgico. Se a parte arrancada (avulsionada) foi perdida ou está muito danificada, o procedimento tem o objetivo de limpar os tecidos não saudáveis e fechar da melhor forma possível. A reconstrução da orelha é realizada após a cicatrização. Perdas menores podem ser restauradas com otoplastia. Acidentes mais graves precisam da reconstrução total, a neootoplastia.
Algumas vezes o paciente chega ao pronto socorro com a parte arrancada da orelha preservada. Nessa situação, pode-se avaliar a possibilidade de reimplante da parte desconectada, com ou sem o uso de microcirurgia. Essa decisão é muito técnica e delicada. Diversas variáveis são analisadas, como comorbidades, experiência do cirurgião e tempo passado do trauma. Caso opte por não reimplantar, o paciente é tratado como grau 3 ou a cartilagem da parte desconectada é retirada e guardada embaixo da pele do paciente para a reconstrução posterior.
Machuquei a orelha, o que devo fazer?
O cuidado inicial é semelhante ao de outros ferimentos. Existem 4 passos fundamentais de primeiros socorros, confira.
Se o acidente desconectou uma parte da orelha, lave com cuidado e deixe envolta em um pano limpo e úmido. Se possível, deixe dentro de em um saco plástico com soro ou água e dentro de um isopor com gelo. Sei que algumas vezes não dispomos de condições ideais para realizar todos esses passos, mas procure fazer o mais próximo disso.
Como especialista, realizo o atendimento dos ferimentos de orelhas em sua fase de urgência e a reconstrução tardia, após a cicatrização. Entre em contato conosco pelas mídias sociais ou nos links aqui ao lado para solicitar o atendimento.
