Aquilo que não te contaram sobre o bullying

O bullying das orelhas

As deformidades de orelhas infelizmente são uma fonte frequente de comentários preconceituosos, negativos, exclusão social, bullying. Os impactos em crianças e adultos já são muito conhecidos e publicados.  Sabemos que a percepção negativa de autoimagem, associada aos efeitos de bullying, geram reflexos profundos e persistentes:

  • Atraso no desenvolvimento da fala, linguagem e audição.
  • Transtornos psiquiátricos, como a ansiedade e depressão.
  • Dificuldade em socialização, afetiva ou profissional.
  • Baixo rendimento no trabalho ou na escola.

O combate ao bullying de orelhas ou ao bullying estético deve ser realizado de forma integral. Muitos artigos sobre bullying relacionado a orelhas proeminentes e o bullying relacionado à microtia. Já é comprovado o benefício do tratamento cirúrgico:

  • Melhora de sintomas psiquiátricos
  • Interrupção de problemas sociais relacionados a deformidade, como o bullying.
  • Aumento do rendimento escolar ou no trabalho, com maior capacidade de concentração.
  • Melhor engajamento do paciente em relações pessoais, afetivas e profissionais.
  • Maior estabilidade emocional e aumento da autoestima.
  • Maiores níveis referidos de felicidade.

Os dados que comprovam

Vamos analisar um pouco os dados. Vou usar alguns números retirados desse artigo científico, baseado numa deformidade grave de orelha, a microtia.

Vamos iniciar observando a ocorrência de bullying de orelhas nos pacientes de 4 a 5 anos, antes e depois de operarem.

Ocorrência em crianças de 4 a 5 anos

 Não sofremRaramenteOcasionalmenteFrequentemente
Antes de operar69%8%15%8%
Após 1 ano da cirurgia92%0%8%0%

Observamos um combate expressivo ao bullying com a cirurgia! O procedimento reparador (neo-otoplastia com medpor) reduziu muito a ocorrência de bullying. Esse benefício também é verificado quanto ao bullying de orelhas de abano ou outras deformidades.

O que ninguém comenta sobre o bullying

Quando analisamos com mais calma os resultado, chegamos em 3 conclusões.

    1. A idade

Vamos observar os dados de bullying de orelhas antes de operar, comparando as crianças mais novas (4 a 5 anos) com as mais velhas (6 a 10 anos).

Ocorrência de bullying

 Não sofremRaramenteOcasionalmenteFrequentemente
Mais novos (4-5 anos)69%8%15%8%
Mais velhos(6-10 anos)0%13%73%13%

Podemos observar que o bullying é muito mais frequente após os 6 anos de idade. Todas as crianças passam por situações negativas, focadas em suas orelhas. O tratamento ainda é efetivo, mas menos que em idades mais novas, como vemos na tabela abaixo.

Ocorrência após 1 ano da cirurgia

 Não sofremRaramenteOcasionalmenteFrequentemente
Mais novos (4-5 anos)92%0%8%0%
Mais velhos(6-10 anos)53%33%7%7%

Ou seja, observamos que a criança sofrerá muito menos impacto em sua vida se for tratada ainda em idade mais nova.

    2. A relação com os pais

O artigo trouxe outro dado interessante. As crianças e os pais foram questionados separadamente, com resultados discordantes.

Ocorrência de bullying após 1 ano da cirurgia

 Não sofremRaramenteOcasionalmenteFrequentemente
Dito pelas crianças53%33%7%7%
Dito pelos Pais80%20%0%0%

Concluímos que as crianças mentem para os pais? De forma alguma. Eu tiro a conclusão de que as deformidades de orelhas se mostram um problema mais complexo do que a sociedade considera. A discordância dos números para mim reflete que as crianças se sentem envergonhadas ou desconfortáveis em relatar situações de preconceitos quanto às suas orelhas. Pode ser um reflexo do quanto a deformidade de orelha, seja ela microtia ou de abano, impacta em sua percepção de autoimagem e confiança. A criança se sente mal em se abrir até com os seus pais!

Não podemos excluir a ausência de acolhimento dos pais, aqueles que não dão espaço para a criança se abrir e ajudam a trabalhar os seus sentimentos.

    3. Devemos apoiar, além de operar.

Muitas pessoas pensam que apenas operar vai resolver o bullying das crianças com deformidades de orelhas. Observe o lado direito da tabela, destacados.

Ocorrência de bullying após 1 ano da cirurgia

 Não sofremRaramenteOcasionalmenteFrequentemente
Mais novos (4-5 anos)92%0%8%0%
Mais velhos(6-10 anos)53%33%7%7%

A cirurgia reduziu em muito a ocorrência de bullying das orelhas e os seus impactos na vida das crianças. Contudo, a redução não é total. A cirurgia não retira a necessidade de apoio familiar. Faz parte do processo de combate dar espaço para a criança se expressar, aceitar seu sentimentos e trabalhar da melhor forma possível. Além disso, deve-se notificar a escola, identificar focos de conflitos sociais e resolver de forma pacífica. Se necessário, um apoio profissional com psicólogo e psiquiatra é muito benéfico não somente para a criança, mas para seus cuidadores.

A conclusão sobre o bullying de deformidades de orelhas.

A análise deste artigo nos trouxe muitas informações importantes.

  1. As deformidades de orelhas devem ser tratadas o quanto antes, é a melhor forma de prevenir os impactos descritos.
  2. O tratamento cirúrgico oferece significativo benefício aos pacientes, especialmente se associado às outras medidas de combate ao bullying.
  3. O apoio familiar é fundamental para o combate integral ao bullying de orelhas.

Vou trazer mais dicas e orientações relacionados ao bullying de orelhas. Temos muito conteúdo sobre microtia, orelha de abano, Macrotia e de outras indicações de otoplastia em crianças.

Se deseja auxílio de alguma forma, não hesite em entrar em contato conosco. Eu e minha equipe iremos buscar a melhor forma de ajudar.