Se prestar atenção, as nossas orelhas possuem muitos detalhes. Cada um possui características únicas, uma dobra a mais na cartilagem ou uma parte um pouco maior já mudam completamente a nossa percepção. Costumo brincar nas consultas que as nossas orelhas são quase como uma impressão digital.
Seguindo nessa filosofia, já discutimos os parâmetros que guiam o que chamamos de normal para uma orelha e já conversamos sobre as diversas deformidades já classificadas.
Este texto aborda o mesmo tema, mas sob a minha visão.
Como o cirurgião avalia e se guia para realizar uma cirurgia nas orelhas?
Seja uma otoplastia, uma lobuloplastia ou até a neo-otoplastia, possuo 3 parâmetros que sempre me acompanham em qualquer avaliação.
A projeção da orelha
Definimos como projeção a distância entre dois pontos anatômicos.
- A cabeça, atrás da orelha (tecnicamente chamamos a região de mastóide).
- A porção mais externa da orelha (a hélice).
Para facilitar, a projeção é o quanto vemos as orelhas quando nos vemos de frente, como no espelho.
Essa é uma visão de muita angústia para as pessoas que possuem orelhas proeminentes, isto é, orelhas muito projetadas. Popularmente chamamos de orelhas de abano.
Essa projeção é o foco principal da otoplastia para orelhas de abano, as orelhas proeminentes, mas é um parâmetro essencial para todas os procedimentos de orelhas!! Sempre devemos checar qual é a projeção das orelhas durante o procedimento.
Os números variam conforme o porte da pessoa, anatomia do paciente e a deformidade que está sendo tratada, mas, de forma geral, costumo buscar uma projeção de 1,5 a 2cm para as orelhas.
O tamanho da orelha
As orelhas podem possuir um tamanho maior ou menor que o desejado. Mais uma vez, o número ideal é visto caso a caso, mas costuma estar em torno de 5,5 e 6,5cm.
As orelhas menores podem ser microtia ou orelha constrita, com os seus tratamentos específicos.
Orelhas maiores são chamadas de Macrotia.
O desenho da orelha
O desenho da orelha é muito importante, é um ponto de satisfação importante dos pacientes. Algumas vezes me procuram apenas para melhorar um ponto específico da orelha, como o desenho da hélice ou retirar o tubérculo de Darwin, termos técnicos bem específicos.
Durante o procedimento, me dedico muito a deixar a orelha com o melhor desenho possível. Para tanto, algumas vezes desloco, retiro ou adiciono cartilagem. Cada orelha precisa de um ajuste específico.
Como que avalio esses parâmetros
Tantos detalhes! Como podemos avaliar?
Tenho uma rotina de consulta. Primeiramente entendo a queixa do paciente, peço que me relate o que o trouxe ao consultório. Em seguida, vamos analisar suas orelhas de 3 formas:
- Exame físico em conjunto, na frente do espelho
- Análise de fotos
- Análise do SCAN 3D da orelha do paciente
Reuniremos todas as informações que precisamos e conversarei a fundo, passando meu diagnóstico e o qual procedimento pode ajudar o paciente na correção de suas orelhas.
A combinação dos parâmetros
Alguns profissionais comentam que é necessário apenas 1 ponto para aproximar as orelhas ou que apenas uma redução já resolve o problema. Coisa bem rápida. Eu não concordo.
Acredito que uma avaliação criteriosa desses 3 parâmetros e a correção adequada para cada um deles é o que fornece um resultado bonito e natural.
O que prego é o tratamento global da orelha, harmonizando da melhor forma possível com o rosto do paciente. Essa perspectiva deixa a otoplastia ou a neo-otoplastia mais detalhista e personalizada, exatamente o que acredito que o paciente mereça.
Se me acompanhou nesse texto, tenho certeza de que possui uma visão diferenciada e que não aceita qualquer tratamento para suas orelhas. Convido a entrar em contato conosco para entender mais sobre o nosso trabalho e agendar uma avaliação personalizada.
Vamos entender exatamente o que incomoda e propor uma correção adequada às suas expectativas.
