Como escolher o tipo de reconstrução total de orelha

A reconstrução total da orelha (neo-otoplastia) é indicada quando o paciente não possui a orelha externa ou está com uma deformidade muito grave. Basicamente são dois cenários:

  1. Deformidades congênitas: Anotia ou microtia.
  2. Deformidades adquidiras: sequelas de traumas ou infecções.

As formas de criar uma orelha

Uma vez entendida a indicação, vamos conversar sobre as técnicas de reconstrução total da orelha. Existem 3 formas de proporcionar uma nova orelha ao paciente

  1. Neo-otoplastia com cartilagem costal.
  2. Neo-otoplastia com prótese de polietileno poroso.
  3. Próteses de silicone removíveis (anaplastologia).

A forma de reconstrução total de orelha clássica

O primeiro relato de neo-otoplastia com cartilagem do próprio paciente foi em 1959. Desde então, a técnica sofreu diversas atualizações e derivações. Hoje em dia, cada cirurgião segue uma escola, uma forma de realizar esse procedimento. Apesar disso, todos realizam pelo menos em 2 tempos cirúrgicos e todos utilizam a cartilagem da costela do paciente.

A técnica mais moderna

A reconstrução total da orelha com polietileno poroso é uma técnica mais moderna, possui 25 anos desde seu primeiro relato. Essa é a técnica de minha preferência. Criamos um texto específico sobre essa técnica, vale a pena conferir aqui

A prótese removível

A reconstrução com prótese de silicone removível é um procedimento híbrido, já que se inicia com um rápido procedimento cirúrgico. O primeiro passo é a colocação de um pino no osso, o que chamamos de implante ósseo osteointegrado, através de um procedimento rápido, ambulatorial. Em seguida, o anaplastologista molda uma prótese de orelha em silicone, que encaixe nesse pino.

Como escolher a melhor forma de reconstrução total de orelha?

Pacientes com microtia, anotia ou que sofrem uma perda de suas orelhas apresentam impactos psicológicos importantes. O objetivo da reconstrução é justamente encerrar essa ocorrência e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Esse ganho é comprovado na literatura, há melhora das funções sociais e redução dos níveis de depressão e ansiedade. Esse benefício é relatado para as 3 formas de reconstrução.

A escolha da melhor forma de reconstrução total de orelha é uma escolha individual, do paciente junto com a sua família. Cada uma possui suas vantagens e desvantagens, cabe a mim passar essa informação às famílias.

O primeiro passo acredito que seja optar por um procedimento cirúrgico definitivo ou pela anaplastologia. As próteses removíveis possuem o benefício de serem rápidas e de menor risco cirúrgico. Após uma rápida recuperação, o paciente já pode colocar o seu implante de silicone. Em compensação, possuem o que chamamos de risco de queda: um esbarrão na prótese pode fazer com que ela caia, o que gera um constrangimento social significativo. Além disso, essa reconstrução possui a necessidade de manutenção periódica e troca da prótese, o que gera custos recorrentes à família. Costumo aconselhar esse tipo de reconstrução aos pacientes com comorbidades graves ou de idade avançada, quando o risco cirúrgico é alto.

Qual é a melhor cirurgia para a reconstrução total de orelhas?

Se o paciente e sua família optam por uma reconstrução cirúrgica, devemos escolher entre 2 técnicas: Reconstrução com cartilagem da costela ou reconstrução com implante de polietileno poroso (Medpor®, Omnipore®). Essa é uma das escolhas que geram mais dúvidas nos pacientes, sejam de microtia, anotia ou que necessitem de reconstrução total por uma sequela de um trauma.

Cada técnica possui suas vantagens e desvantagens. Nos cabe passar tais informações as famílias e decidir juntos qual faz mais sentido para aquele paciente.

1 .Reconstrução com cartilagem costal

Vantagens

  • Reconstrução com tecido do próprio paciente
  • Técnica com maior tempo de realização.
  • Menor curva de aprendizado que o implante de polietileno poroso (Medpor®, Omnipore®)

Desvantagens

  • Necessita de pelo menos 2 tempos cirúrgicos
  • Riscos: perda ou distorção de cartilagem com o tempo, problemas de cicatriz e extrusão de fios.
  • Gera morbidade na área doadora: dor e pode gerar deformidade no tórax em alguns casos.
  • Não pode ser realizada se houverem cicatrizes na região das orelhas

2. Reconstrução com implante de polietileno poroso (Medpor®, Omnipore®)

Vantagens

  • Cirurgia realizada em tempo único – Menor tempo total de hospital e de anestesia
  • Menos retornos no consultório
  • Maior previsibilidade de resultados, melhor definição de contorno da orelha. Maior simetria de tamanho, projeção e cor.

Desvantagens

  • Riscos: Extrusão do implate e fraturas com perda do desenho da orelha
  • Curva de aprendizado longa.

Como podem ver, as duas técnicas são muito diferentes. Assim, sempre procuro entender o caso do paciente, a expectativa de resultados e a rotina de cuidados da família para aconselhar qual será a melhor técnica para aquele caso.

Em linhas gerais, eu possuo preferência pela reconstrução com polietileno poroso. Contudo, não descarto a reconstrução com cartilagem. Acho que é muito bem indicada para reconstruções parciais de orelhas.

O primeiro passo

Se acompanhou esse texto até aqui, está com uma ótima base de informações sobre quais são suas possibilidades de reconstrução, seja para microtia, anotia ou sequela de traumas graves. Se desejar, o próximo passo é entrar em contato conosco e agendar uma consulta. Vou analisar o seu caso e expor quais são suas possibilidades de reconstrução. Decidiremos juntos o que faz mais sentido para você! Aguardo o seu contato.