A idade ideal para a Otoplastia, cirurgia para correção de orelhas, depende de muitos fatores, inclusive a deformidade. Neste artigo, eu te explico melhor sobre isso.

Os procedimentos cirúrgicos em orelhas podem ser realizados para dois tipos de deformidades:
| Deformidades congênitas | Deformidades adquiridas |
|---|---|
| Orelhas de abano | Deformidade em couve-flor |
| Orelhas dobradas (constrita) | Perda de partes da orelha |
| Criptotia | Cicatrizes inestéticas |
| Orelha de Stahl | Quelóides |
| Macrotia | Lóbulo rasgado (bífido) |
| Microtia | Tumores Cutâneos |
Quando posso operar a orelha em couve-flor? Preciso esperar o queloide diminuir? Preciso esperar a o lóbulo rasgar para operar?
As deformidades adquiridas não possuem uma idade ou fase determinada para serem tratadas. Uma vez diagnosticadas, o planejamento terapêutico já pode ser estabelecido, a cirurgia já pode ser realizada.
E a deformidade congênita?
De forma contrária, as deformidades congênitas podem ser tratadas com modelagem de orelhas no primeiro mês de vida ou precisarão aguardar até os 6 anos de idade para realizar um procedimento cirúrgico.
Essa orientação é muito questionada pelos familiares. Existe muita ansiedade em realizar o procedimento o mais precoce possível com o objetivo de amenizar ao máximo o impacto na autoestima e evitar o bullying. Entendo perfeitamente essa demanda dos pais, mas preciso passar um ponto técnico fundamental que sustenta essa orientação, vamos entender.
Existem diversos estudos sobre o crescimento das orelhas. Um dos que mais gosto é um publicado em 2012 pelo autor Ruma Purkait. 2147 crianças tiveram suas orelhas medidas do nascimento até os 18 anos de idade, considerando as partes anatômicas e suas proporções. Diversas conclusões foram relatadas, mas destaco 3 pontos principais:
• Nascemos com orelhas 50-60% do tamanho final
* O maior crescimento ocorre no primeiro ano de vida
* Aos 5-6 anos, as orelhas têm dimensões 80-90% do tamanho adulto.
O que acontece se operar cedo as orelhas?
Quando realizamos um procedimento cirúrgico, invariavelmente geramos fibrose e cicatrizes. Se optarmos por corrigir cirurgicamente uma deformidade de orelha logo nos primeiros meses, a fibrose e a cicatriz podem deformar novamente durante o crescimento. Assim, o resultado não será definitivo, haverá a necessidade de uma nova abordagem futura.
Além disso, o rosto da criança ainda está em crescimento e desenvolvimento. Apenas a partir dos 6 anos de idade conseguimos julgar se as orelhas necessitam de algum ajuste de posição, eixo ou tamanho para ficarem mais harmônicas com o rosto da criança.
E por fim, mas não menos importante, as crianças em torno dos 5 anos apresentam um maior conhecimento do seu corpo, comparam com os amigos e criam o desejo de serem submetidas a um procedimento reparador. Com essa maturidade, o procedimento flui com muito mais facilidade, do pré ao pós-operatório.
Ao juntarmos esses 3 pontos, entendemos o motivo de operarmos as deformidades congênitas somente após os 6 anos de idade.
Esse é um resumo da conversa que temos na primeira consulta. Invisto muito tempo entendendo a demanda do paciente, organizando um planejamento terapêutico e orientando todos os passos e cuidados.
Se possui um familiar com uma alteração congênita ou adquirida de orelha, agende sua consulta. Vamos entender a sua deformidade e elaborar um planejamento terapêutico individualizado!
