Por que ocorrem deformidades nas orelhas?

Me especializei no tratamento das deformidades de orelha. Minha rotina de trabalho esta totalmente voltada para a realização de lobuloplastia, otoplastia, neo-otoplastia e a modelagem de orelhas.

Esses 4 procedimentos são indicados para o tratamento de diversos tipos de deformidades de orelhas. Resumimos neste link quais são os tipos de orelhas, como classificamos. Vale a pena conferir para entender melhor qual procedimento pode ser mais indicado.

Este texto vai responder uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório.

Por que a criança apresentou essa deformidade? É genético?

Bom, se estamos falando das deformidades congênitas, estamos excluindo as adquiridas, como sequelas de trauma ou sequelas de infecções.

Essas deformidades são uma preocupação estética e psicossocial para pacientes pediátricos e seus pais. As principais deformidades congênitas de orelhas são:

  • Orelhas de abano (orelhas proeminentes)
  • Orelhas constritas (orelhas amassadas)
  • Orelhas de Stahl (orelhas de duende ou elfo)
  • Criptotia
  • Microtia
  • Anotia

Por que ocorrem deformidades de orelhas?

As anomalias de orelhas podem ser resultado de uma malformação ou de uma deformação.

  1. Malformação: Sim, este são os casos genéticos. A combinação dos genes dos pais resultou em um formato alternativo para a orelha do bebê, sem alguns dos parâmetros anatômicos da orelha.
  2. Deformação: A combinação genética dos pais produziu uma orelha dentro dos padrões anatômicos, mas a posição do bebê dentro do útero acabou deformando a orelha.

Percebemos que as deformidades congênitas podem ou não ter um componente genético. Mesmo sendo genético, não quer dizer que é hereditário, ou seja, que pode ser passado ao filho ou ter um irmão com a mesma deformidade.

Como podemos diferenciar uma da outra?

Através do exame físico por um especialista em orelhas

Quando avalio um paciente no consultório, busco em suas orelhas os parâmetros anatômicos tidos como normais. Quando há uma malformação de orelha, percebemos que faltam alguns marcos anatômicos clássicos das orelhas. Pode-se pensar que malformações são somente as deformidades mais graves (microtia ou anotia), quando não vemos claramente partes inteiras das orelhas. Contudo, essa classificação também vale para deformidades leves e comuns. Veja o exemplo das orelhas de abano. Um dos marcos clássicos é o apagamento da dobra da parte de cima da orelha (cruz superior da anti-hélice), que faz a parte de cima ficar mais afastada da cabeça. Essa também é uma malformação das orelhas.

Como posso saber se há uma deformação na orelha?

Quando recebo um paciente com uma deformação das orelhas, realizo esse diagnostico baseado em 4 pontos:

  • Principal: presença dos elementos anatômicos da orelha, mas observo que estão distorcidos, deformados.
  • Deformidades apenas de um lado (assimetria importante)
  • Relato dos pais da gestação: orelha encostada na placenta nos ultrassons, bebe cefálico, entre outros achados
  • Pais e irmãos sem anomalias de orelhas

O diagnostico é um conjunto de fatores, visto caso a caso.

Ok, entendi malformação e deformação…mas o que isso muda na pratica?

O entendimento da causa de uma deformidade congênita das orelhas serve para aconselhamento genético aos pais. Como vimos as deformações ocorrem durante o desenvolvimento do bebê no útero, ou seja, não dependem de fatores genéticos. Outros filhos terão necessariamente a mesma deformidade. Por outro lado, as malformações podem ou não ser hereditárias, há uma chance maior de ocorrer nos próximos filhos.

Esse é apenas um resumo sobre a chance de ocorrer novamente uma deformidade de orelha. A análise deve ser individualizada. Entendo o tipo de anomalia de orelha, examino os pais e conversamos sobre as possibilidades genéticas da família.

O tratamento das anomalias muda se for uma malformação ou deformação?

Essa é uma dúvida frequente de consultório. A resposta é não. O tratamento da anomalia congênita de orelha é o mesmo, independente da causa. Se o diagnostico for realizado nas primeiras semanas de vida, seguimos o que relato nesse texto, fazemos a modelagem de orelhas. Se o diagnostico é realizado mais tardiamente, o tratamento é a otoplastia ou neo-otoplastia.

Tentei esclarecer ao máximo, mas sei que ainda pode ter dúvidas após ter lido esse texto. Entre em contato conosco. Eu e minha equipe nos preparamos para poder ajudar você e sua família a esclarecer o diagnostico e sugerir a melhor forma de tratamento.