Preenchimento com PMMA, pode ou não pode?

O polímero PMMA (Polimetilmetacrilato) foi primeiramente utilizado na indústria, como ligas para manufatura de vidros e similares. Após alguns estudos, foi descoberto que a substância é biocompatível, sendo então empregada na confecção de lentes e cimento ortopédico em casos específicos e pontuais. Também específica e pontual é a recomendação do uso cosmético da substância. É indicado para o preenchimento cutâneo de pequenas áreas corporais, com finalidade reparadora, em pacientes que apresentam atrofia tegumentar decorrente de tratamentos da SIDA (HIV) e de sequela de poliomielite. Estas indicações são autorizadas pela Anvisa, com a ressalva de respeitar limites específicos, como explícito neste trecho retirado do site da mesma:

“De acordo com as orientações do fabricante, aprovadas pela Anvisa, a dose utilizada é aquela estritamente necessária para a correção de defeitos tegumentares ou da pele.” Fonte: Site da Anvisa.

Há muito tempo, infelizmente, o polímero vem sendo utilizado de forma indiscriminada para fins estéticos. Diversos profissionais e pacientes são atraídos pelo fato de o produto ter aplicação definitiva, ou seja, a quantidade colocada não é reabsorvida, o ganho é duradouro, diferente do ácido hialurônico ou a própria gordura. Contudo, a aplicação em maiores volumes acarreta maior risco de complicações, como a infecção. O tratamento da mesma se faz com a remoção do material, procedimento de resultados esteticamente devastadores, já o produto fica espalhado entre tecidos sadios, que acabam saindo junto. Alguns pacientes acabam por ficar com deformidades graves na face, necessitando de outros procedimentos reparadores.

Em 2018, um novo comunicado foi emitido pela Anvisa, com um parecer sobre o uso estético do PMMA:

“A Anvisa também esclarece que o produto não é contraindicado para aplicação nos glúteos para fins corretivos. Porém, não há indicação para aumento de volume, seja corporal ou facial. Cabe ao profissional médico responsável avaliar a aplicação de acordo com a correção a ser realizada e as orientações técnicas de uso do produto.” Fonte: Site da Anvisa.

Diversas entidades médicas emitiram pareceres preocupados após está orientação: O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Pessoalmente, compartilho com esta preocupação. Já atendi pacientes com deformidades graves decorrentes de PMMA, necessitei de alguns procedimentos cirúrgicos reparadores para amenizar as sequelas. Além disso, já tratei de uma paciente que faleceu decorrente de uma infecção grave do preenchimento glúteo com PMMA.

Acredito que procedimentos e substâncias têm suas indicações de emprego e volume de tratamento. Se não sofre de sequelas do tratamento da AIDS ou de poliomielite, não realize bioplastia ou outros tratamentos com PMMA. Seu uso excessivo e indiscriminado pode te gerar o efeito contrário: deformidades faciais/corporais, longas internações, procedimentos para tratamento de complicações ou até falecimento.

Não trabalho com PMMA, apenas trato suas complicações com procedimentos cirúrgicos. Preenchimento facial ou corporal realizo com ácido hialurônico (harmonização facial) ou com a própria gordura (lipoenxertia).

Seja comigo ou com outro profissional, sempre pesquise sobre o procedimento antes de realizar. Tire as dúvidas! Sabia qual produto está sendo aplicado. Sua saúde é sempre a prioridade.