A anestesia é realizada há muito tempo, desde a pré-história com o uso de preparações baseadas no ópio. Em 1773, com a descoberta do óxido nitroso, a anestesia moderna começou a tomar forma. Hoje em dia, temos diversos tipos de anestesia, cada procedimento possui uma indicação ideal. Nem sempre a anestesia geral é necessária para cirurgia plástica, vamos entender.
Não sentir dor.
O maior objetivo da anestesia é não deixar o paciente sentir dor para que o procedimento seja realizado. Isso pode ser realizado basicamente de 3 formas:
• Anestesia local: o cirurgião aplica os anestésicos diretamente no local do procedimento, bloqueando nervos de toda a área que será operada.
• Anestesia regional: o anestesista realiza uma punção em um nervo maior e tira toda a sensibilidade de uma região, como é o caso da raquianestesia ou a peridural.
• Anestesia geral: o anestesista utiliza anestésicos na veia e bloqueia o estímulo doloroso do corpo todo.
A forma que a dor será bloqueada é escolhida dependendo de como será o procedimento. Frequentemente realizamos uma combinação das formas mencionadas.
Dormir e não lembrar de nada
O segundo objetivo da anestesia é sedar o paciente para que durma e não lembre do procedimento, não saiba que está sendo operado. Podemos realizar de 2 formas: por inalação ou direto na veia.
A sedação por inalação é a preferência para as crianças. Conseguimos iniciar a anestesia sem stress ou traumas para os pequenos.
A sedação na veia (endovenosa) pode ser realizada em diversos graus, de mais leve até níveis mais profundos, realizados na anestesia geral.
Como sei qual é o melhor tipo de anestesia?
Cada equipe cirúrgica tem uma rotina de trabalhar. Eu prefiro procedimentos realizados com anestesia local ou regional + sedação leve. Percebo que os pacientes apresentam uma recuperação da anestesia mais rápida, melhor controle da dor, retomam mais precocemente a consciência e a mobilidade, recebem alta do hospital mais rápido. Essa é a minha rotina para os seguintes procedimentos:
• Anestesia local + sedação: Otoplastia, blefaroplastia, ritidoplastia, rinoplastia
• Anestesia regional (peridural ou raqui) + sedação: Abdominoplastia, lipoabdominoplastia, mamoplastias, inclusões de prótese, reconstrução de mama, lipoaspiração.
Quando é necessária a anestesia geral?
Apesar de ser a forma mais temida pelos pacientes, é o tipo de anestesia mais seguro, uma vez que o anestesista controla muito melhor o corpo do paciente. Por isso, utilizo rotineiramente a anestesia geral nos pacientes mais idosos e nos que possuem doenças sistêmicas (insuficiência cardíaca, doenças pulmonares, entre outras). Além disso, é a escolha para as cirurgias longas, como a neootoplastia ou reconstruções mais complexas, quando o anestesista precisa dar mais medicamentos ao paciente. Por fim, também é a escolha nas crianças por tolerarem menos a sedação leve. Claro que iniciamos a anestesia na veia após ela dormir com o anestésico inalatório e os pais saírem da sala cirúrgica.
Uma observação importante é que frequentemente utilizo anestesia local associada com a anestesia geral. Ao bloquear os nervos no local da cirurgia, o anestesista consegue diminuir a quantidade de medicamento que coloca e o paciente apresenta uma recuperação muito melhor após o procedimento.
O segredo da anestesia
Os dois fatores mais importantes para o paciente ter uma boa anestesia são:
1. Ter um bom anestesista
2. Escolher uma equipe com grande entrosamento
Não basta ter um profissional de qualidade se ele não sabe o ritmo do cirurgião. Quando os dois profissionais possuem um bom entrosamento, o anestesista sabe quanto tempo o cirurgião vai levar para realizar o procedimento, os momentos mais importantes do paciente estar bem sedado e as regiões que serão mais manipuladas e precisam ser mais anestesiadas. Dessa forma, ele calcula com maestria o tipo de anestesia que será realizada e a quantidade dos medicamentos colocados. O resultado é maior segurança, melhor controle da dor e melhor recuperação para o paciente após o procedimento.
Gostamos quando recebemos o relato positivo da experiência do paciente logo após o procedimento: “foi um sono muito gostoso, eu não lembro de nada”.
